
Por vezes, o que é visto como “manhas” à mesa é, na verdade, cansaço, fome acumulada ou dificuldade em regular emoções. Quando a criança está em esforço (sono desregulado, transições, frustração, ansiedade), o corpo entra em modo de “defesa” – e a refeição pode tornar-se num momento mais difícil. 💛
A seletividade alimentar é mais comum do que muitos pais pensam. Além disso, nem sempre está relacionada com “preguiça” ou “capricho”. Por isso, é importante compreender que a seletividade alimentar pode ter várias causas:
Quando compreendemos a causa, conseguimos apoiar melhor a criança.
Quando a criança está em esforço emocional ou físico, o corpo entra em modo de “defesa”. Assim, isto significa que o sistema nervoso está ativado e a criança tem menos capacidade para lidar com novidades ou desafios. Por isso, a refeição pode tornar-se num momento mais difícil.
Exemplos de situações que podem desregular a criança:
Quando a criança está neste estado, é comum notar comportamentos à mesa que parecem “manhas”, mas que são, na verdade, sinais de desregulação.
É importante estar atento aos sinais que podem indicar desregulação:
Quando a criança está desregulada, o apetite pode diminuir. Além disso, pode tornar-se mais seletiva com os alimentos, recusando coisas que normalmente come. Por isso, isto é uma resposta natural do corpo.
A criança pode desenvolver sensibilidade aumentada a características sensoriais dos alimentos. Assim, pode recusar alimentos que antes comia, ou mostrar repugnância exagerada. Além disso, isto é particularmente comum em crianças com sensibilidade sensorial aumentada.
A criança pode ficar mais irritável durante as refeições, recusando-se a ficar sentada. Por isso, pode haver birras, choro ou comportamentos de evitamento. Além disso, isto indica que o corpo está em modo de defesa.
Quando desregulada, a criança pode exigir rotinas muito específicas e rígidas à mesa. Por exemplo, o prato tem de estar num local exato, a comida tem de ser servida de uma forma específica. Assim, isto é uma forma de a criança tentar recuperar controlo e segurança.
Existem várias estratégias práticas que podem ajudar a criar refeições mais previsíveis e tranquilas:
Estabeleça horários consistentes para as refeições. Desta forma, a criança sabe quando é hora de comer e consegue preparar-se mentalmente. Além disso, isto ajuda a regular o apetite e a digestão.
Antes de sentar à mesa, certifique-se de que a criança está regulada. Por exemplo:
Assim, a criança consegue estar mais aberta à refeição.
Evite pressionar a criança a comer. Por isso, não diga coisas como “tem de comer tudo”, “come mais um bocado”, ou “isto é bom para ti”. Além disso, isto aumenta a ansiedade e reduz a motivação para comer.
Ofereça alimentos que a criança gosta (prato “seguro”) juntamente com uma pequena novidade. Desta forma, a criança consegue comer algo familiar e, ao mesmo tempo, tem oportunidade de explorar algo novo sem pressão.
Ofereça alimentos novos várias vezes, sem pressão. Assim, a criança consegue familiarizar-se gradualmente. Além disso, pode levar várias exposições até a criança aceitar um alimento novo.
Crie um ambiente à mesa que seja calmo e previsível. Por exemplo:
Desta forma, a criança consegue concentrar-se na refeição.
Ajude a criança a nomear e validar as suas emoções à mesa. Por exemplo:
Assim, a criança sente-se compreendida e consegue regular melhor as suas emoções.
O sono é fundamental para a regulação emocional e o apetite. Por isso, certifique-se de que a criança dorme o suficiente e tem uma rotina de sono consistente. Além disso, quando a criança dorme bem, consegue lidar melhor com desafios à mesa.
Se observa que a seletividade alimentar está a afetar significativamente a nutrição ou o bem-estar da criança, pode fazer sentido procurar ajuda. Por exemplo:
Um nutricionista pediátrico ou terapeuta da fala especializado em alimentação pode ajudar a avaliar e oferecer estratégias personalizadas.
A chave é compreender que a seletividade alimentar é frequentemente um sintoma de algo mais profundo – falta de regulação, ansiedade, sensibilidade sensorial ou falta de segurança. Por isso, quando abordamos a raiz do problema, conseguimos apoiar melhor a criança.
Lembre-se: as refeições devem ser momentos de conexão e prazer, não de conflito. Assim, com paciência, compreensão e estratégias adequadas, é possível criar uma relação mais saudável com a comida.