
“Ele não se concentra.” “Está sempre a mexer-se.” “Distrai-se com tudo.” Estas são frases que muitos pais e educadores ouvem ou dizem. No entanto, é importante compreender que a concentração não é apenas “força de vontade” – é uma competência que depende do corpo, do cérebro e da forma como a criança se regula. 💡
A concentração é a capacidade de manter a atenção numa tarefa específica, ignorando distrações. Além disso, envolve várias funções cerebrais: memória de trabalho, inibição de impulsos, planeamento e organização. Assim, quando uma criança tem dificuldade em concentrar-se, pode estar relacionado com várias causas. Por exemplo:
A Psicomotricidade é uma abordagem terapêutica que trabalha a ligação entre movimento, atenção e autorregulação. Desta forma, reconhece que o corpo e a mente estão intrinsecamente ligados. Por isso, ao trabalhar o movimento e a consciência corporal, é possível melhorar a capacidade de concentração e autorregulação.
Em contexto terapêutico, através do jogo e de atividades orientadas, a criança pode desenvolver várias competências essenciais:
Controlo do corpo e do impulso
A criança aprende a parar, esperar e recomeçar. Por exemplo, em jogos com regras, aprende a inibir impulsos e a seguir instruções. Assim, desenvolve a capacidade de autocontrolo, que é fundamental para a concentração. Além disso, esta competência transfere-se para outras áreas da vida.
Planeamento e organização da ação
Através de atividades que exigem sequência (o que fazer primeiro, como fazer, quando terminar), a criança desenvolve capacidades de planeamento. Além disso, isto transfere-se para tarefas escolares e rotinas diárias. Desta forma, consegue organizar-se melhor de forma independente.
Equilíbrio e coordenação
Quando a criança tem um bom controlo do corpo e equilíbrio, consegue manter uma postura mais estável. Por isso, pode focar-se melhor na tarefa, em vez de gastar energia a manter-se em pé ou sentada. Consequentemente, a concentração melhora significativamente.
Consciência corporal e gestão de energia
A criança aprende a reconhecer o seu corpo no espaço e a regular a energia: nem “a mais” (agitação excessiva), nem “a menos” (letargia). Desta forma, consegue encontrar o ponto de equilíbrio ideal para cada situação. Além disso, isto ajuda na autorregulação emocional.
Tolerância à frustração e persistência
Através de desafios progressivos, a criança aprende a lidar com dificuldades e a manter-se na tarefa, mesmo quando é difícil. Além disso, isto aumenta a confiança e a autoestima. Por isso, a criança torna-se mais resiliente.
Quando o corpo encontra estratégias para se regular, a atenção tende a ficar mais disponível. Por isso, uma criança que consegue:
…consegue concentrar-se melhor em casa, na escola e nas aprendizagens. Assim, a melhoria não é apenas na terapia, mas transfere-se para o dia a dia. Além disso, isto tem impacto no desempenho académico e nas relações sociais.
Se observa na sua criança vários destes sinais, pode fazer sentido procurar uma avaliação. Por exemplo:
Além disso, estes sinais podem aparecer isolados ou em conjunto, dependendo da criança.
Se tem dúvidas sobre concentração, agitação ou dificuldades em manter rotinas e tarefas, uma avaliação pode ajudar a perceber o que está por trás. Assim, um psicomotricista pode:
Lembre-se: procurar ajuda não é sinal de alarme. Portanto, é um acto de cuidado com o desenvolvimento global e o bem-estar da sua criança.