
A ansiedade na adolescência nem sempre “faz barulho”. Às vezes, não aparece como um ataque de pânico ou um choro evidente. Em vez disso, muda rotinas, humor e até o corpo. Por isso, é comum que pais, mães e cuidadores sintam dúvidas: “Será só uma fase?” “Será stress da escola?” “Ou será ansiedade?”
A boa notícia é que há sinais de alerta que ajudam a perceber quando vale a pena estar mais atento(a). Além disso, existem pequenas atitudes em casa que podem aliviar o sofrimento e abrir espaço para pedir ajuda a tempo.
A ansiedade é uma resposta do corpo e da mente a uma sensação de ameaça. Em adolescentes, pode estar ligada a pressões escolares, mudanças sociais, autoimagem, relações, expectativas, transições familiares ou até a experiências difíceis que não foram faladas. No entanto, quando a ansiedade é frequente, intensa ou começa a limitar a vida diária, deixa de ser “normal” e passa a precisar de acompanhamento.
Ou seja, não é fraqueza, nem falta de vontade. É um sinal de que o sistema de alarme está demasiado sensível.
Abaixo estão alguns sinais comuns. Importa lembrar que um sinal isolado não confirma ansiedade. Ainda assim, quando vários sinais aparecem ao mesmo tempo, persistem por semanas ou interferem com a escola, o sono, a alimentação ou as relações, vale a pena procurar apoio.
A ansiedade pode “vestir-se” de irritabilidade ou de afastamento. Por isso, esteja atento(a) a:
Além disso, alguns adolescentes tornam-se mais controladores, perfeccionistas ou reativos, como se estivessem sempre em modo de defesa.
O evitamento é um dos sinais mais importantes. Muitas vezes, o adolescente evita para aliviar a ansiedade no momento, mas isso reforça o medo a longo prazo. Pode surgir como:
Consequentemente, a vida vai ficando mais pequena: menos experiências, menos confiança, mais medo.
A ansiedade não é “só psicológica”. O corpo fala. Assim, podem aparecer:
Se já houve avaliação médica e não se encontrou uma causa física, faz sentido considerar a componente emocional. Ainda assim, a avaliação médica é sempre importante para excluir outras hipóteses.
Quando a mente está em alerta, desligar torna-se difícil. Por isso, observe:
Além disso, a ansiedade pode parecer “falta de atenção” ou “preguiça”, quando na verdade é exaustão mental.
Aqui, o alerta é maior, sobretudo se houver impacto na segurança emocional do adolescente. Esteja atento(a) a:
Se estas frases surgirem com frequência, ou se houver sinais de autoagressão, é importante procurar ajuda rapidamente.
Não existe uma frase mágica. No entanto, há atitudes que ajudam muito a reduzir a sensação de ameaça e a aumentar a ligação.
Em vez de “isso não é nada”, experimente:
Validar não é concordar com o medo. É reconhecer o que ele sente, para que não se sinta sozinho(a).
Muitos adolescentes fecham-se quando sentem interrogatório. Por isso, tente:
Além disso, às vezes a conversa acontece melhor lado a lado (no carro, a caminhar, a cozinhar) do que frente a frente.
Se os sinais se mantêm por semanas, se interferem com a vida diária, ou se o adolescente está a sofrer, pedir apoio é um ato de cuidado. A psicologia, e quando necessário a pedopsiquiatria, podem ajudar a compreender o que está por trás da ansiedade e a construir estratégias eficazes, ajustadas ao adolescente e à família.
Procure apoio mais rapidamente se existir:
Nestas situações, não espere “passar”. Quanto mais cedo houver intervenção, mais fácil é recuperar estabilidade.
Se reconheceu vários destes sinais no seu adolescente, não está sozinho(a). E pedir apoio pode fazer toda a diferença. A ansiedade tem tratamento, e o adolescente não tem de “aguentar” em silêncio.
Siga-nos nas nossas redes: