Depois do Natal e Passagem de Ano: Como Ajudar a Criança a Voltar à Rotina

Depois do Natal e Passagem de Ano: Como Ajudar a Criança a Voltar à Rotina

O seu filho ficou mais sensível depois do Natal e da Passagem de Ano? Mais birras, mais choro, mais “não”, mais dificuldade em dormir… e a sensação de que “voltámos atrás”. Antes de mais: é completamente normal. 💙

Por que é que isto acontece?

A época festiva, mesmo quando é bonita e desejada, traz consigo uma série de mudanças significativas para a criança. Assim, durante estas semanas, as crianças enfrentam:

  • Mais estímulos visuais e auditivos (decorações, música, celebrações)
  • Mais visitas e encontros com pessoas diferentes
  • Mais barulho e movimento do que o habitual
  • Horários diferentes dos rotineiros (dormir mais tarde, acordar a horas diferentes)
  • Menos previsibilidade nas rotinas diárias
  • Menos descanso e mais cansaço acumulado

Quando o corpo volta à rotina, o sistema nervoso pode demorar alguns dias a “assentar” e a recuperar o equilíbrio. Por isso, é fundamental compreender que as regressões comportamentais e emocionais são uma resposta natural à mudança, não um retrocesso no desenvolvimento.

Sinais de desregulação emocional após o período festivo

Durante o regresso à rotina, é comum observar vários sinais. Por exemplo:

  • Aumento de birras e explosões emocionais
  • Mais choro e sensibilidade
  • Recusa em cumprir pedidos ou rotinas
  • Dificuldade em adormecer ou dormir mal
  • Regressões no sono (acordar à noite, pesadelos)
  • Comportamentos de dependência (querer estar sempre ao colo)
  • Menos apetite ou alterações no apetite
  • Dificuldade de concentração

Além disso, estas mudanças podem afectar toda a dinâmica familiar, causando stress nos cuidadores. Por isso, é importante reconhecer que isto é uma resposta esperada.

O que pode ajudar no regresso à rotina?

Existem várias estratégias práticas que podem facilitar a transição. Assim, ajudam o sistema nervoso da criança a recuperar o equilíbrio:

Voltar ao previsível (com calma)

Reintroduza as rotinas gradualmente, sem pressa. Por exemplo, comece com os horários de sono e refeições, que são os pilares da regulação emocional. Desta forma, não precisa ser perfeito, mas deve ser repetido e consistente.

Horários de sono e refeições consistentes

O sono e a alimentação são fundamentais para a regulação emocional. Por isso, mantenha horários o mais regulares possível. Quando a criança dorme bem e come bem, tem muito mais capacidade para lidar com emoções.

Baixar estímulos por 2–3 dias

Após o período festivo, reduza intencionalmente os estímulos externos. Assim, menos ecrãs, menos “programas”, menos atividades. Priorize estar em casa, em ambiente calmo, com pausas frequentes.

Menos ecrãs, mais pausa

Os ecrãs aumentam a estimulação e, consequentemente, dificultam a regulação. Por isso, nos primeiros dias de regresso à rotina, reduza ao máximo o tempo de ecrã e priorize atividades calmas: leitura, brincadeira livre, tempo ao ar livre.

Conexão antes da correção

Este é um princípio fundamental: quando a emoção sobe, a aprendizagem desce. Portanto, antes de impor limites ou corrigir comportamentos, ofereça conexão emocional. Isto significa:

  • Colo e presença física
  • Nomear o que está a acontecer (“vejo que estás muito triste”, “parece que estás cansado”)
  • Validar as emoções (“é difícil voltar à rotina”, “sinto que sentes falta das férias”)
  • Depois, quando a criança estiver mais calma, estabeleça limites e expectativas

Regressões são adaptação, não retrocesso

Nos primeiros dias pode haver mais regressões: no sono, no choro, na dependência, até em comportamentos que já tinham desaparecido (como chupar no dedo ou pedir a fralda). Isto é completamente normal e não significa que “voltámos atrás” no desenvolvimento.

Estas regressões são, na verdade, um sinal de que a criança está a processar a mudança e a adaptar-se. Além disso, com paciência, consistência e conexão, a criança voltará ao seu equilíbrio em poucos dias.

Quando procurar ajuda especializada?

Se sentir que as dificuldades estão a persistir para além de uma semana, ou se estão a pesar muito na dinâmica familiar, a nossa equipa pode ajudar. Assim, podemos:

  • Perceber o que está por trás das dificuldades comportamentais
  • Avaliar se há outras questões (como sono, ansiedade ou sensibilidade sensorial)
  • Orientar estratégias específicas para a sua criança e família
  • Oferecer apoio emocional aos cuidadores

Lembre-se: procurar ajuda não é sinal de falha. Na verdade, é um acto de cuidado com a saúde emocional e o bem-estar da sua família.

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